A crise que nos assola

Me sinto perseguida pelas ruas. Alguém à espreita a me observar. Algumas vezes me olha através das lentes de astigmatismo 3.25 lado esquerdo e 3 lado direito quando ligo a TV. É a crise, presente na fala dos brasileiros desde meados de 2015.

Mas se não bastasse a crise econômica, há outra crise inerente à minha geração 3.alguns ou 3.tantos anos, que assistiu a evolução rápida da sociedade da informação, com tantas mudanças nas relações pessoais, de trabalho, com o futuro. E ainda há a crise em casa, com a geração dos nossos pais que contrapõe os tempos líquidos ao sólido, ao estável, e não compreende nosso ritmo mutável para se adaptar por segundo.

Para buscar equilíbrio, essa geração corre e para. Esses dias fui fazer uma revisão dos perfis que estava seguindo no Instagram e ali tinha de perfil de yoga e ayurveda contrastando com imagens de feiras high-tech tratando de avanços na área de marketing e comunicação. Avançamos em tecnologia mas aumenta o número de seguidores de perfis DIY (do it yourself - faça você mesmo). O coelho da Alice nunca esteve tão contemporâneo - é tarde, é tarde, é tarde - para conhecer o mundo, mas precisamos manter o corpo são com alguns minutos de mindfullness (meditação define bem no belo português). E corremos rumo a um futuro que está se dissipando, pois se produz tecnologia mas ainda não mudou a mentalidade de quem a produz, e com o dinheiro no centro dos debates a nossa casa maior perdeu para o presidente mais improvável da história (em plena era da informação, pessoal! Por favor!).

Geração que corre querendo apreciar a paisagem, vivendo contradições em cada reunião de família, no trabalho, na vida. O que me conforta é abrir um livro e parar em reflexões além das minhas, histórias inventadas e tudo o que me lembra que ainda está aqui, presente: a criatividade humana.

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