Organização afetiva: perguntem-me como.

Começou com o dilema de todo morador de litoral: como ter móveis mais resistentes à maresia, essa destruidora de móveis, de rebocos de casa e de cabelos. Junto minha determinação de consumo consciente e o amor pelo artesanato da minha mãe, além, claro, de nenhuma vontade de gastar dinheiro para dentro de casa quando quero viver experiências além do meu quarto, que decidimos fazer nós mesmas um mobiliário que desse conta da minha de pilhas de caixas de livros, DVDs e um cantinho para tagarelar no papel ou no digital.  E é essa experiência que compartilho com vocês aqui no blog.


A escada literária 
Seguidora assídua de booktubers (pessoas que fizeram do Youtube um mar literário incrível), ficava namorando aquelas estantes e desejando um espaço à altura dos meus livros. Foi quando minha mãe e seu "um dedo" dedicado à tela do celular googleou e achou uma linda escada reaproveitada como estante. Não pensamos duas vezes. Eu com minha zero habilidade manual disse "manda ver" e minha mãe disse "oba vamos atrás de uma em algum terreno baldio". No fim acabamos comprando uma de madeira simples em uma loja local. E as prateleiras? Lembramos da quantidade de pessoas que trocaram cercas de madeira ou ferro por PVC ou vidro por causa da bendita maresia e optamos pelo vidro, barato e também com a possibilidade de apoiar um negócio local do lado de casa. Assim surgiu a minha escada literária, que está de frente para a minha cama para eu acordar e suspirar feliz. 
Dividi cada degrau por seção nesse esquema (de baixo para cima):
Último degrau: aqui você encontrará o melhor do suspense, policial, terror, magia e livros grandes (hehehe) pelo seu maior espaço; 
Subindooo: encontramos histórias escritas por mulheres com mulheres protagonistas (com exceção da Livraria Mágica de Paris); 
Mais acima é a gauchada: Escritores e escritoras de primeira, embora tenha um gaúcho adotado (Daniel Galera) e esteja faltando um Scliar e um Quintaninha ali, pois li todos deles emprestado de bibliotecas. Um causo sobre essa ausência do Scliar na minha bibliotequinha: como boa cara de pau levei uma vez uma entrevista do caderno Donna da ZH para o Scliar autografar em um evento do pré-vestibular pois só me toquei que não tinha um livro dele para chamar de meu em cima da hora do sarau. Moral da história: tenha sempre um livro de um de seus autores favoritos, pelo menos um!
Mais ao alto: começam os pequeninos da LP&M Pocket; e
Top of the pops: terminamos com um degrau dedicado à série Anne of Green Gables. Merecidíssimo!

Mas o mais legal da escada é poder usar as suas laterais, que reservei para mimos que têm muita história e aquecem meu coração, como essas estátuas típicas do artesanato haitiano que recebi de presente de um cabo em agradecimento a uma matéria que fiz sobre o seu pelotão no Haiti, matriochkas vindas da Croácia através da minha grande amiga Luana, barco do Grêmio que ganhei da super Mindy em Alter do Chão (PA), cafeteira italiana comprada em Milão, budas pops pintados pela minha mãe e por aí vai. 
Custo total: 240 reais: escada, prateleiras sob medida e tinta. O pisca-pisca comprei em promoção por R$ 1,99.
Essa estante é da Atelier de los Mots, uma escola de francês e espaço gastronômico de Porto Alegre. Em pensar o tanto de caixotes de feira que já vi no lixo.

Para seu momento Netflix ou cinema em casa

Dois caixotes de feira 0800 achados no lixo e rodinhas de um móvel em MDF da época que não sabíamos que MDF não resistia à maresia. Tampo de vidro por 10 reais e voilá! DVDs dispostos em cima do aparelho, boxes bem alojados, muito Woody Allen, alguns musicais e, principalmente: MENSAGEM PARA VOCÊ, meu filme favorito. Ali no centro da caixa inferior um boxe das aventuras de Gabi na Força Aérea Brasileira. Sou da turma Xavante de 2011 e tenho muitas histórias tragicômicas desse período de Relações Públicas militar na região amazônica.

Mesa de cavaletes

Por modestos 80 reais no Mercado Livre vieram dois cavaletes simples, que minha mãe incrementou fazendo um estrado para cada lado, um tampão de vidro temperado de 120 reais (lembrando que a tinta foi a mesma para a escada, caixotes e cavaletes) e tenho uma mesa multiuso. Para me inspirar, garanti um dos últimos lambes da tatuadora e ilustradora mais amor de Porto Alegre, a Letícia Heger, que fez a minha tatuagem de livro, coloquei em uma moldura. Máquina de escrever Olivetti Lettera 82 super bem conservada e com sua maletinha, material da pós-graduação, garrafa de cerveja especial dos 7 pecados capitais (essa é da preguiça para rir um pouco quando bate o sono) transformada em vaso e caneca dos tempos de FAB que uso para colocar canetas, lápis e o que mais que escreva.


No estrado usei essa caixinha que ganhei em um presente para colocar meu Kindle e deixar dicionários à mão, além de outras bugingangas, e no outro estrado tem pastas e meu jogo de tabuleiro favorito (elementar, meus caros! Quem adivinha?).

Espero que tenham gostado dessa seção de dicas. Antes de terceirizar a decoração do seu cantinho pense na possibilidade de ver cada parte como uma lembrança afetiva. Cada móvel desses que mostrei tem muito amor em dias de mãe e filha rindo, borradas de tinta, tomando café (no meu caso chá) e colocando cada coisa no seu lugar com um toque de carinho. O Instagram está cheio de inspirações, como o perfil @decoracaoafetiva da Rubyane Barbosa que é incrível, além do Pinterest que tem cada perfil encantador. E aí, vai continuar mantendo livros, DVDs e cadernos em uma torre de Pisa no quarto?




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