Para olhar com ternura para si e para o mundo


Enfim, chegamos em dezembro! Um mês carregado de esperança para novos 365 dias novinhos em folha. E para ajudar você a entrar 2018 com o pé direito e um olhar de ternura para si e para o coletivo, apresento uma menina ruiva que tem muito a lhe ensinar. A Netflix contribuiu para tornar Anne ("with an E", que fique claro) Shirley uma personagem mais conhecida, mas me surpreendeu ao conversar com amigos que ninguém do meu círculo afetivo sabia que a série é baseada na sequência de livros Anne of Green Gables. Conto para vocês o que disse a eles abaixo.

Experiência de leitura: conheci a série de livros através do meu filme favorito, "Mensagem para Você". Há uma cena em que Kathleen Kelly (Ryan) é consolada por uma cliente da sua livraria  que diz "sua mãe sempre me dizia, leia Anne of Green Gables com um lencinho ao lado". Faz tempo que eu adotei o hábito de ler os livros citados em filmes que gosto, bem como fazer as receitas presentes nas cenas. Então fui pesquisar e descobri que se tratava de uma série de livros de uma escritora canadense, Lucy Maud Montgomery, sendo que o primeiro livro, o qual dá nome a toda a série, foi publicado em 1908. Para venda no Brasil, em 2008, só encontrei uma coleção dos livros em inglês no site da Livraria Cultura. Eu nunca havia lido nada além de livros didáticos do curso de idiomas, mas eu PRECISAVA saber por que raios alguém teria que ler os livros com um lencinho do lado, então comprei.

A edição veio com 8 livros em um combo comemorativo aos 100 anos da obra. Todos em papel jornal, aquele fininho dos livros de banca de revista, o que resultou em um fato engraçado: depois de ler todos, nunca mais os 8 couberam na caixa de papelão porque incharam, então o último sempre fica de fora.

Li todos em dois meses, apesar de serem volumes com média de 260 páginas em inglês para uma não leitora, até então, da língua. Como isso ocorreu? Porque os livros são uma delícia! Neles o leitor acompanha a vida de Anne Shirley, uma menina ruiva órfã que por acidente é adotada por um casal de irmãos que mora em uma fazenda chamada...Green Gables. Assim como no primeiro livro, o nome dos demais vão seguindo os locais por onde a Anne criança, adolescente e adulta vai percorrendo, com exceção do último livro, que fala de um de seus filhos, a Rilla (of Ingleside, viu só!).

Eu li no inverno de 2008 quando tinha recém me graduado e estava meio desanimada com o futuro na profissão que havia escolhido. Foi então que o diálogo com essa personagem assumiu uma importância tão grande na minha vida. Anne é uma Pollyana que vê o lado bom de tudo, com a diferença de ser muito crítica consigo mesma, principalmente por ser ruiva (e é por isso que sempre se alude a essa característica para se falar dela, é importante para entender a história). Com ela aprendi a trazer a ternura do meu olhar para dentro também, pois me identifiquei demais com a personagem.

Por ser uma história que inicia na infância, a série Anne of Green Gables é retratada por vezes como literatura infantil, mas não é restrita a essa classificação. Tal qual ocorre atualmente com a saga Harry Potter ou mesmo com a tetralogia napolitana de Elena Ferrante, é uma história que traz a formação do caráter de uma pessoa e como isso vai definir suas escolhas e condutas futuras, por isso a história se inicia lá na infância das personagens.

Sobre a série da Netflix: foi a primeira vez que assisti uma adaptação da literatura e não me decepcionei. Os atores e seus diálogos sob um cenário bucólico e mágico traz bem o espírito da narrativa, então se você  ainda não assistiu, recomendo que assista. Mas nunca espere que eu lhe diga: pode assistir para substituir os livros. A leitura ainda sim é muito mais cativante.


Dica para uma leitura que inspire o seu novo ano: recomendo leituras ao ar livre, em contato com a natureza. Mas não vá esperando aquelas cenas que vemos no Instagram em que não tem formiga, aranha, mosquitos, ladrão e todas as coisas da vida real. Se tiver pátio em casa, leve uma cadeira para baixo de uma árvore (serve guarda-sol também, ajuda a tirar o mofo dele para o verão). Se for apartamento basta se posicionar perto da janela. Passei bons anos da minha vida lendo em uma poltrona velha de frente para um Ipê na janela do meu quarto. De comida, um doce, de preferência quindim, mas qualquer outro que não seja de figo serve (porque sim).

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